a dar-te um nome estranho,
a ver sempre senão sua imagem
é tal a forma como me envergonho
quando vejo teu sorriso e não sei como devolver
não seria senão um fracasso essa vã tentativa
de a igualar, de lhe dar um pouco do que a mim me dá
não consigo tocar nas palavras
a escassez dos sentimentos certos
como a quero, como choro tê-la desiludido
como salto em júbilo ao tê-la de novo, essa longínqua hipótese
TODO o santo segundo me acompanhas
chateio-te, o meu nervosinho, a rolha que não tenho
por ti seria mudo
algo feliz
todo aquele corpo uma fonte de juventude
deixai-me beber, de uma flute de champagne
senhora
agarra-me enquanto nos conduzo na mota
de várias maneiras
todas transmitem algo
aí consigo sorrir gigantemente
não consigo dar-te a poesia que tu és
não ouso cantar-te, far-te-ias mouca
simplesmente te sinto no sangue que me corre nas veias
em todas as batidas do meu coração
quero proteger o teu.
(Para a CPLA.)
Tuesday, March 27, 2012
Thursday, February 2, 2012
História 1
Nos meus braços lembro-me de ti imediatamente. Já não reconhecia o corpo que é teu agora, a tua cara, mudou. Ao tocar-te é igual, lembro-me de súbito.
Eramos ainda muito crianças. Gostava de ti mas não te dizia. Tu a mim chamavas-me para o teu lado o mais possível. Tinha vergonha, era tímido. Nem te percebia. Eras bonita, isso eu reparei. Fui lanchar a tua casa, convidaste a turma nos teus anos. As sanduiches de queijo e marmelada estavam óptimas, cortadas em triângulo. A turma foi porque era um pretexto para um ajuntamento mas nem tu nem eu conhecíamos, ou nos dávamos especialmente com os teus convidados. Nem entre nós. Perguntaste se eu queria um sumo. Não te respondi mas quando mo deste de qualquer maneira aceitei-o e bebi.
-Queres vir comigo á cozinha? -perguntaste baixinho.
-Fazer o quê?
-Anda. Vem comigo.
Fui. Não estava lá ninguém dentro, os adultos estavam na sala a tomar conta das crianças e as comidas já lá estavam todas também. Haviam embalagens e uma certa desarrumação aqui na cozinha.
-Estás-te a divertir? - perguntou-me ela.
-Não sei.
-Tens um olho de cada cor não é?
-Sim. Tenho.
-Que engraçado.
-É igual. Vejo igual dos dois.
Não fiquei muito mais tempo na festa.
Agora abraças-me. Vamos a um café. Não falamos muito. Pedes um chá e eu uma empada e um copo de água. Sorris um bocado e voltas á cara séria. Eu também. Perguntamo-nos pela vida um do outro. É rápido. Desinteressante.
Perguntas-me se podemos ir para minha casa. Acabamos o chá e vamos. De taxi, onde voltamos a não falar quase nada.
Pago ao senhor e agradeço.
Entramos e pergunto-te se queres alguma coisa.
-Não. Acabei de beber um chá não viste?
-Pois foi. Estás diferente. Ficaste muito bonita.
Ela não responde. Despe-se e pergunta-me onde é o quarto. Aponto para a porta e ela abre-a. Não a sigo. Olho pela janela um bocado. Depois dispo-me. Deixo as cuecas e as meias. Entro no quarto e ela está deitada na cama, de olhos fechados. Entro na cama e ela faz um pequeno som, imperceptível. Reconhece a minha presença.
Deito-me de barriga para cima. Sem a tocar. Olho para o tecto. Não fecho os olhos, fico só a olhar. Ela vira-se para mim e deita-se no meu ombro, não me mexo. Ela diz-me uma coisa ao ouvido, não percebo o que foi. Ela agarra-me no pénis e desta vez reajo. Olho para ela e vejo que me está a observar, quer ler o que penso. Não estou excitado. Não dura muito tempo. Ela puxa-me. Fazemos sexo, quando vejo a sua cara fico com a sensação que vai chorar. Não digo nada. Só nos beijamos no fim.
Atingimos o orgasmo ao mesmo tempo. Ela levanta-se e sai do quarto. Ouço-a a vestir-se, e depois a porta a bater.
Durmo e mais á noite liga-me o irmão dela, ela tomou imensos remédios, tá no hospital. Ele não tinha acabado de falar. Desliguei prematuramente o telefone. Cheguei ás urgências. Lá disseram-me simplesmente que ela estava morta. Subi ao décimo andar, tentei abrir uma janela, não consegui. Entrei no quarto de um paciente, já dormia ele. Abri a janela, consegui desta vez. Saltei.
Morreram os dois, na mesma noite, ela tinha engravidado, ele tinha-a finalmente amado.
Eramos ainda muito crianças. Gostava de ti mas não te dizia. Tu a mim chamavas-me para o teu lado o mais possível. Tinha vergonha, era tímido. Nem te percebia. Eras bonita, isso eu reparei. Fui lanchar a tua casa, convidaste a turma nos teus anos. As sanduiches de queijo e marmelada estavam óptimas, cortadas em triângulo. A turma foi porque era um pretexto para um ajuntamento mas nem tu nem eu conhecíamos, ou nos dávamos especialmente com os teus convidados. Nem entre nós. Perguntaste se eu queria um sumo. Não te respondi mas quando mo deste de qualquer maneira aceitei-o e bebi.
-Queres vir comigo á cozinha? -perguntaste baixinho.
-Fazer o quê?
-Anda. Vem comigo.
Fui. Não estava lá ninguém dentro, os adultos estavam na sala a tomar conta das crianças e as comidas já lá estavam todas também. Haviam embalagens e uma certa desarrumação aqui na cozinha.
-Estás-te a divertir? - perguntou-me ela.
-Não sei.
-Tens um olho de cada cor não é?
-Sim. Tenho.
-Que engraçado.
-É igual. Vejo igual dos dois.
Não fiquei muito mais tempo na festa.
Agora abraças-me. Vamos a um café. Não falamos muito. Pedes um chá e eu uma empada e um copo de água. Sorris um bocado e voltas á cara séria. Eu também. Perguntamo-nos pela vida um do outro. É rápido. Desinteressante.
Perguntas-me se podemos ir para minha casa. Acabamos o chá e vamos. De taxi, onde voltamos a não falar quase nada.
Pago ao senhor e agradeço.
Entramos e pergunto-te se queres alguma coisa.
-Não. Acabei de beber um chá não viste?
-Pois foi. Estás diferente. Ficaste muito bonita.
Ela não responde. Despe-se e pergunta-me onde é o quarto. Aponto para a porta e ela abre-a. Não a sigo. Olho pela janela um bocado. Depois dispo-me. Deixo as cuecas e as meias. Entro no quarto e ela está deitada na cama, de olhos fechados. Entro na cama e ela faz um pequeno som, imperceptível. Reconhece a minha presença.
Deito-me de barriga para cima. Sem a tocar. Olho para o tecto. Não fecho os olhos, fico só a olhar. Ela vira-se para mim e deita-se no meu ombro, não me mexo. Ela diz-me uma coisa ao ouvido, não percebo o que foi. Ela agarra-me no pénis e desta vez reajo. Olho para ela e vejo que me está a observar, quer ler o que penso. Não estou excitado. Não dura muito tempo. Ela puxa-me. Fazemos sexo, quando vejo a sua cara fico com a sensação que vai chorar. Não digo nada. Só nos beijamos no fim.
Atingimos o orgasmo ao mesmo tempo. Ela levanta-se e sai do quarto. Ouço-a a vestir-se, e depois a porta a bater.
Durmo e mais á noite liga-me o irmão dela, ela tomou imensos remédios, tá no hospital. Ele não tinha acabado de falar. Desliguei prematuramente o telefone. Cheguei ás urgências. Lá disseram-me simplesmente que ela estava morta. Subi ao décimo andar, tentei abrir uma janela, não consegui. Entrei no quarto de um paciente, já dormia ele. Abri a janela, consegui desta vez. Saltei.
Morreram os dois, na mesma noite, ela tinha engravidado, ele tinha-a finalmente amado.
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